Sentir de novo

Eram umas quatro da manhã. Tinha desistido de rolar na cama e chorava baixinho cansada de travar mais uma batalha com a insônia. Era sempre ela.

Na primeira vez que ela apareceu senti um certo orgulho, pois eu era a única que não reclamava de noites em claro. Nunca conseguira passar uma noite sem dormir.

Horas, dias, meses, dois anos. Há dois anos não dormia em paz e desejava muitas vezes o descanso eterno. Tentei a cura dos deuses, dos chás, da respiração profunda e de todas as mandingas homeopáticas disponíveis.

Três anos e uma vida parecia ter se passado. Tentei a cura das pílulas. Não tão sábias me provocaram as piores memórias. Dormir deixou de ser o objetivo e desisti.

Sentir de novo o que eu sinto agora é mágico. O torpor me abate e eu durmo. Obrigada por me fazer sentir de novo.

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