Carta

-“As cartas não coram de vergonha”.

-Quem falou isso?

-Um cara aí, não me lembro o nome. Li naquele livro que você me deu.

– Qual livro? 

-Aquele do amor platônico. 

– Nossa, faz tanto tempo. Qual era nome mesmo?

– Agora sou eu que não lembro mais. Não, espera…é o Tempo de Tentação. 

-Esse livro me lembra você. 

– Esse livro me lembra você.

– Se as cartas não coram de vergonha você escreveria tudo que não foi dito por vergonha?

– Talvez sim, talvez não. Talvez com uísque e gelo. 

– Com uísque e gelo eu falaria tudo agora. 

Silêncio.